Breviário da Rua Pinto de Azevedo

INTRODUÇÃO

1. Desde 1990 EURO S.R. vem desenvolvendo uma Pesquisa Individual em cima do conceito de PALIMPSESTO, fora do meio acadêmico, desvinculado de qualquer instituição e não contando com nenhuma parceria. Necessitando, desde sempre, de uma infra-estrutura mínima para dar continuidade e sustentação a essa pesquisa, realizada até aqui em condições precárias e cuja progressão prevê, além da realização das obras, a produção de textos de reflexão sobre elas (processo criativo, contextualização, inserção no contemporâneo, etc).

2. Pesquisa que acaba sendo, em última instância, uma reflexão sobre o contemporâneo. Com suas junções e sobreposições de tecnologias. Com suas interferências, apropriações e operações intercódigos. O que acaba resultando em uma reflexão sobre a linguagem. O contemporâneo como a convivência (tensa ou harmônica, não importa) de várias linguagens, muito mais do que um “estilo”. A linguagem contemporânea não podendo ser linguagem, mas linguagens. Idade da perda da inocência, o contemporâneo é plural, fragmentário, palimpsestico. Uma série de novas questões étnico-políticas, inclusive, vêm colocar em xeque a velha questão de uma linguagem hegemônica.

3. Deste modo, o presente PROJETO, é seqüência, continuação e desdobramento deste Pesquisa, razão porque estamos incluindo o Portifólio em anexo.

JUSTIFICATIVA

1. Este PROJETO é a continuação, já mencionada, de uma Pesquisa em que EURO S.R. tem estado envolvido por já onze anos.

2. PROJETO que se insere na série dos “PALIMPSESTOS CARIOCAS” (subconjunto específico dentro do conjunto geral dos “PALIMPSESTOS”)

iniciada com a “SUÍTE MEIRELLES” , dedicada a J.T.MEIRELLES”, ícone do samba-jazz do lendário Beco das Garrafas.

3. Série que procura lançar pontes entre uma certa ingenuidade (arcaica) e uma esquiva invenção (contemporânea) entre a intuição e o conceituai, entre a esfera estética e o mundo das aparências, entre desejos, pensamentos e pressupostos, tentando contrapor e revelar o peso de nossa carência e a leveza de nossa liberdade.

OBJETIVOS

Realizar a série “BREVIÁRIO DA RUA PINTO DE AZEVEDO” . composta de 25 (vinte e cinco) “palimpsestos” de 45 x 32.5 cm , homenagem à antiga Zona do Mangue do Rio de Janeiro e que remete a “O SANTEIRO DO MANGUE” de Oswald de Andrade e à série “MANGUE” de Lasar Segall, estabelecendo com ambos uma relação “palimpsestica” . Pela “moral do avesso” de um e pelo “paulista” cosmopolitismo judaico de outro.

METODOLOGIA

A metodologia empregada desde o início da Pesquisa na elaboração de todos os trabalhos e que norteará igualmente este PROJETO, tem como paradigma o impulso exploratório e a dúvida – a orientação pela verdade tão incerta e subjetiva quanto a orientação pela beleza – no que poderíamos chamar de uma “metodologia da inquietação”.

CRONOGRAMA DE REALIZAÇÃO

O prazo para a realização dos 25 (vinte e cinco) trabalhos do “BREVIÁRIO DA RUA PINTO DE AZEVEDO” é de 12 (doze) meses, com a produção de 2 (dois) “palimpsestos” por mês, o 25° (vigésimo quinto) tendo sua feitura diluída pelos 12 (doze) meses de duração do PROJETO.

BIBLIOGRAFIA

A bibliografia será basicamente a mesma que já vem sendo utilizada na realização dos “PALIMPSESTOS” , em que interessa menos a literalidade e a citação (acadêmica) e mais a ex-citação (palimpsestica):

“SOBRE OS ESPELHOS E OUTROS ENSAIOS” (Umberto Eco)

“HISTORIA DE LA CULTURA” (Alfred Weber)

“A CULTURA DAS CIDADES” (Lewis Mumford)

“CULTURA DE MASSAS NO SÉCULO VINTE” (Edgar Morin)

“O PROCESSO CIVILIZATÓRIO” (Darcy Ribeiro)

“BETWEEN DYSTOPIA AND UTUPIA” (Constantinos A.Doxiadis)

“ESTÉTICA – PINTURA E MUSICA ( Hegel)

“A NECESSIDADE DA ARTE” ( Ernst Fischer)

“EROS E CIVILIZAÇÃO” (Herbert Marcuse)

“DO ROCOCÓ AO CUBISMO” (Wylie Sypher)

“ARTE COMO ANTIARTE” (Ernesto Grassi)

“ARTE MODERNA” (Giuiio Cario Argan)

“A HISTÓRIA DA ARTE COMO HISTÓRIA DA CIDADE” (Giuiio Cario Argan)

“CRÍTICA DE ARTE E HISTÓRIA DA ARTE” (Giuiio Cario Argan)

“A QUERELA DO BRASIL” (Carlos Zilio)

“NEO CONCRETISMO” (Ronaldo Brito)

“A FORMA DÍFICIL” (Rodrigo Naves)

“PAINTING AS MODEL” (Yve-Alain Bois)

“LE DERNIER TABLEAU” (N.Taraboukine)

“IMAGEM, COGNIÇÃO, SEMIÓTICA E MÍDIA ( Lúcia Santaella e Winfried Noth)

FONTES DE PESQUISA

As fontes de pesquisa continuarão sendo as mesmas utilizadas até agora, ou seja, o encoberto, o submerso e o sub-reptício. Vestígios e remanescências, fichário sem fichas, onde o local da memória é também o porão do esquecimento. Mas, principalmente, o contraponto entre o oculto no cotidiano e o oculto na historicidade do homem (mais que na historicidade da arte), que assume e ao mesmo tempo amplia o caráter autobiográfico da arte contemporânea.

Rio, agosto/setembro de 2001.

Euro S.R.

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