Há já algum tempo, venho trabalhando com o conceito de PALIMPSESTO, ou seja, do encoberto, do submerso, do escondido, do subjugado, do subjacente, do recôndito, do sub-reptício.
A instalação proposta para esta “Primeira Mostra RioArte Contemporânea”, apresenta-se, deste modo, como continuação e desdobramento deste trabalho.
Denominada “EMPTY CORAÇÃO ou CORAÇÃO INFIBULADO”, a instalação consta basicamente de um retângulo de 1.80 X 2.00 m inscrito no piso do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, tendo como fundo uma parede ou divisória do próprio Museu. (*)
O retângulo é formado por três faixas longitudinais, sendo duas laterais e uma central.
As laterais, de 0,50 X 2,00 m, são constituídas por um leito de PREGOS de vários tamanhos, sobre o qual de assentam NINHOS feitos de PREGOS maiores, com OVOS em seu interior.
A faixa central, 0,80 X 2,00 m, consiste basicamente em um TAPETE VERMELHO que funciona como uma passarela de acesso à URNA DE VOTAÇÃO, colocada ao final desta passarela e encostada à parede dos fundos.
A parede dos fundos, tem uma área delimitada de 1,80 X 2,00 m, dentro da qual um LETREIRO com as frases:
VOTE AQUI
JULGUE OS JULGADORES
DANDO NOTA DE 0 A 10
AO TRABALHO DAS COMISSÕES
DE SELEÇÃO E PREMIAÇÃO \
conclama o público a VOTAR (como num desfile de Escola de Samba).
Esta instalação:
1. trabalha com a oportunidade de uma URNA DE VOTAÇÃO em um ano eleitoral. Com a devida pompa e circunstância que qualquer votação merece. Pisando – se em ovos, em pregos ou em tapetes vermelhos. A voz das urnas (EMPTY CORAÇÃO / CORAÇÃO INFIBULADO) como um palimpsesto: emergência do subjacente.
2. remete à reflexão de algumas questões igualmente oportunas: a (já velha) questão da PARTICIPAÇÃO do espectador na obra de arte. A (velha/nova) questão da SELEÇÃO de obras de arte e do JULGAMENTO dos julgadores. A (ainda nova) questão da arte contemporânea vista, às vezes, como uma ESTÉTICA AUTORITÁRIA.
Rio, Janeiro de 2002
Euro S.R.
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